Tudo aconteceu num momento notável, de uma forma formidável e festiva, não houve outro igual. Nessa fração de tempo algo espetacular aconteceu. Deus tornou-se homem. A divindade visitou a terra. Os céus se abriram e colocaram sua maior preciosidade num ventre humano.

O Onipotente, num instante, tornou-se carne e sangue. Aquele que é maior do que o universo tornou-se um embrião microscópico. Aquele que sustenta o mundo com uma palavra escolheu ser alimentado por uma jovem mãe.

Deus chegou mais perto.

Ele não veio como um relâmpago ou como um conquistador inacessível, mas como alguém cujos primeiros gritos foram ouvidos por uma camponesa e um carpinteiro sonolento. Maria e José podiam ser tudo, menos realeza. Todavia o céu confiou o seu maior tesouro a esses pais assim tão simples. Começou numa manjedoura, esse momento grandioso no tempo.

Ele podia parecer tudo, menos um rei. Seu rosto, enrugado e vermelho. Seu choro, o grito indefeso e agudo de uma criança dependente.

Majestade em meio ao mundanismo. Santidade em meio ao esterco de ovelhas. Esta criança supervisionara o universo. Aqueles trapos que a mantinham aquecida era as vestes da eternidade. O salão dourado do trono fora abandonado a favor de um curral de ovelhas. Anjos em adoração haviam sido substituídos por pastores bondosos, mas confusos.

Como era curioso esse salão do trono real. Nada de tapeçarias cobrindo as janelas, nem trajes de veludo nos cortesãos. Não havia um cetro de ouro nem uma coroa brilhante. Quão estranhos os sons da corte. Vacas mugindo, cascos batendo no chão, uma mãe cantarolando, uma criança sendo amamentada.

A história do rei poderia ter começado em qualquer parte. Curiosamente, porém, começou numa manjedoura. Espiei pela janela. Ele chegou.

TUDO COMEÇOU NA MANJEDOURA